A ilha Graciosa, diante da qual ancorámos, presenteava-nos com colinas um pouco tufadas nos seus contornos tal como as elipses duma ânfora etrusca: enroupadas da verdura dos trígais, exalavam um aroma frumentoso agradável, que é peculiar às searas dos Açores. Viam-se ao meio destes tapetes as divisórias dos campos, formados de pedra vulcânica.
Chateaubriand


Fotografias


A Ilha Graciosa pertence ao grupo central do Arquipélago Açoriano. Tem uma supeifície de 61 Km². Segundo alguns autores, foi descoberta em 3 de Maio de 1450, tendo como seu primeiro povoador o português Vasco Gil Sodré, natural de Montemor-o--Velho. O seu nome ajusta-se perfeitamente ao ambiente urbano e paisagístico da ilha, com realce para a sua capital, a Vila de Santa Cruz da Graciosa. Casas brancas, algumas solarengas de decoração sóbria. O largo da Câmara, no centro da vila, é de amplas dimensões, povoado de araucárias e metrozíderos de grande porte.

Ao fim da tarde, ao sol poente, o casario e a torre da Igreja, reflectem-se nas aguas de um lago, como que em competição com o cenário da manha. Ao percorrer as estradas bem delineadas de toda a ilha, descobrem-se paisagens surpreendentes que terminam recortadas no azul profundo do Atlântico. Em dias claros avistam-se as silhuetas das ilhas de São Jorge, do Pico e do Faial.

Para além da Vila de Santa Cruz destacam-se as povoações da Praia, da Luz e de Guadalupe. Na Praia, pode ver-se ainda em plena laboração um velho moinho de traça flamenga, moendo o trigo cultivado nas terras férteis da ilha. Não é raro, na Graciosa, ver-se a paisagem animada pela presença de moinhos cujas velas ao ritmo do vento, não nos deixam esquecer a poesia de uma existência vivida em comunhão perfeita com a natureza.

As termas de Carapacho, de águas quentes e sulfurosas, cloretadas, sódicas e alcalinas, são muito frequentadas e a sua origem parece estar relacionada com a interessantíssima Furna ou Caldeira do Enxofre, fenómeno geológico bastante raro e único no Arquipélago. A 100m de profundidade, e com fácil acesso, encontra-se uma enorme «furna» de 130 m de diâmetro e cuja cúpula, em abóbada, fica a 80 m de altura. No fundo, e a ocupar a parte oposta à entrada, está uma lagoa de águas sulfurosas e mornas que brotam de uma nascente contigua e um pouco acima do seu nível. O interior é iluminado pela luz que vem do exterior através de duas enormes «chaminés» naturais, resultantes certamente da evolução do próprio fenómeno geológico.

A paisagem da Graciosa é muito bela, misturando-se o verde das árvores e das culturas ao branco das casas isoladas ou das aldeias. Na costa, e relativamente perto da Vila de Santa Cruz, existe uma formação rochosa de grandes dimensões cuja configuração muito se assemelha a uma enorme baleia, tornando-se assim como que no «exlibris» da Ilha Graciosa.

O mar é riquíssimo em peixe e crustáceos de fino sabor, que constituem parte importante da alimentação diária dos seus habitantes. Os campos, bem cuidados, fornecem o trigo, o milho, a batata e vários legumes e frutos.

Os habitantes da Graciosa são como a generalidade dos açorianos, gente do mais fino trato e de uma afabilidade que encanta. Dir-se-ia que, afastados dos grandes centros urbanos, guardaram toda a riqueza de uma cultura ancestral que ainda não foi afectada pelos vícios das sociedades modernas.

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