O Faial discreto e femenino. As mulheres do campo deixam o sacho ou a forquilha para pegarem na agulha do crivo ou na farpa do croché. Ali borda-se a fio de palha em tule negro, mais leve que uma nuvem; fio de palha de trigo: De maneira que uma mantilha ou uma blusa parecem ter lume aceso.
Vitorino Nemésio


Fotografias


A Ilha do Faial, situada no Grupo Central do Arquipélago, tem uma superfície de 170 Km². Descoberta na primeira metade do século xv. A comunidade flamenga instalou-se num fértil vale,ainda hoje conhecido pelo Vale dos Flamengos. Portugueses do Continente e das outras ilhas se Ihes juntaram, atingindo grande desenvolvimento e uma populaçáo que em 1490 ascendia a cerca de 1 500 habitantes. O seu tápido crescimento económico ficou a dever-se em grande parte à cultura do pastel, planta que fornecia a cor azulada largamente utilizada pelos tintureiros.

A Ilha do Faial é conhecida pela "Ilha Azul", mercê da quantidade imensa de hortênsias que nos meses de Verão florescem com exuberância nos seus campos. Tem por capital a cidade da Horta, que dispõe de um óptimo porto de mar e esplêndida marina, paragem bem conhecida de quantos veleiros atravessam as águas do Atlântico. No paredão da doca, despertam grande curiosidade as pinturas e dedicatórias feitas por muitos navegadores que por aí têm passado ao longo dos anos. O bar do Peter, junto ao porto, é alta predilecta de muitos desses navegadores. É uma espécie de oásis no meio do oceano, onde as forças se retemperam entre uma bebida e uma conversa com amigos e companheiros de outras nacionalidades.

A cidade pode ser admirada quer do Monte da Guia, que Ihe fica sobranceiro, quer do alto da Espalamaca, donde se pode disfrutar uma das mais belas perspectivas de toda a ilha. Continuando para Norte pela estrada que ladeia o Vale dos Flamengos — e no Verão entre espectaculares sebes de hortênsias em flor, chega-se à Caldeira, a 1043 m de altitude, imensa e profunda cratera de um vulcáo extinto com cerca de 2Km de diâmetro e 400 m de profundidade, toda revestida de cedros, zimbros, faias, fetos e musgos, cuja beleza impressiona e subjuga quem a admira. Da luxuriante vegetação da Caldeira, descendo para a encosta ocidental da ilha entre intermináveis sebes de hortênsias, chega-se à região dos Capelinhos que, em contraste brutal, nos mostra os efeitos de uma erupção vulcânica, nos anos de 1957 e 1958.

A Ilha do Faial guarda ainda alguns moinhos de vento que emprestam rara beleza a certos recantos da sua paisagem. A mais espectacular de todas elas, em dias claros, é a que se avista da Espalamaca, em que todo o encanto da Ilha do Pico e do Oceano se enquadra com o rodopiar das velas brancas de um moinho. Mas a visão permanente da Ilha do Pico, do nascer ao por do Sol, é espectáculo de rara magia, quer nos dias claros e transparentes em que o azul do céu e do mar se confundem, quer nos dias em que uma cortina de nuvens apenas deixa ver fugitivamente a silhueta imponente do Pico.

Como em todas as ilhas do Arquipélago, também no Faial se celebram as festas do Divino Espírito Santo. Devido à importância geográfica do seu porto e à quantidade de veleiros de todo o mundo que aí fazem alta, a cidade da Horta tem dedicado particular atenção à "Semana do Mar", com início no primeiro domingo de Agosto de cada ano. Durante aquele período realitam-se importante regatas e outras manifestações náuticas. É também uma excelente oportunidade para admirar toda a riqueza do folclore açoriano.